A COMUNIDADE E A COOPERATIVA

Os vários caminhos percorridos pela Cooperativa Reciclo

Por Raíssa Saraiva e Siula Valentim

Foto: Pamella Jardim

Foto: Pamella Jardim

No começo era apenas uma multidão. Ninguém se conhecia, ninguém ficava muito tempo no mesmo lugar. Barracos mudavam de dono constantemente. Derrubadas, duas, três vezes por semana. De repente, alguns decidiram ficar. Pediam esmolas, passavam fome. Mas a força e a vontade de mudar eram maiores que o sofrimento.

Num domingo do ano de 2003, tudo mudou. A Pastoral da Evangelização e Construção Social, ligada à Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora foi visitar a recém-formada comunidade. Eram sete famílias. Os rostos tornaram-se conhecidos. Os ex-nômades fincaram terreno. Vínculos de amizade formaram um grupo. A Pastoral os levou para conhecer a Cooperativa 100 Dimensão, que sobrevivia da coleta de material reciclável. A partir daí, a história sofrida começou a mudar de rumo. E esses vitoriosos, hoje, têm mais do que jamais pensaram ter.

A história da cooperativa começou quase que por acaso é verdade. Mas não é por acaso que ela continua. “Na 100 Dimensão vimos o que era reciclável, qual material era vendido, como era selecionado. A gente aprendeu muita coisa. Foi aí que a gente entendeu que deveria ajudar um ao outro”, diz a atual presidente da cooperativa, Jaqueline de Souza, 21 anos. Atualmente a Reciclo conta com 60 cooperados. A comunidade, entretanto, é muito maior: um total de 65 adultos e 90 crianças. E mesmo com todas as vitórias conseguidas, a luta continua difícil.

No fim de 2006, as famílias da Reciclo (que se firmou legalmente como cooperativa em 2007) passaram por uma de suas provas mais duras: os barracos foram derrubados e os moradores foram reprimidos pelo Batalhão de Operações Especiais – BOPE. Depois de sofrerem com muita confusão e violência, ainda que a maioria da comunidade seja formada por mulheres e crianças, eles se reergueram e conseguiram autorização para proteger suas moradias. Hoje, os barracos da comunidade não podem mais ser derrubados. Mas nem é mais preciso se preocupar com isso: em breve eles nem estarão mais lá.

Mais informações sobre a violenta derrubada dos barracos em 2006: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/368551.shtml

(Postado por Lídia Mara)

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