Por Raíssa Saraiva e Siula Valentim

Divulgação Caixa Econômica
Durante ao menos seis anos, os agentes ambientais da Cooperativa Reciclo moraram próximos ao seu local de trabalho. Além do lixo para reciclagem, dividiam o espaço com a enorme rede elétrica da área, que provocava curtos-circuitos e choques constantes.
“Não é fácil viver aqui”, diz Gervásio de Oliveira, 52 anos, “ a gente mora num lugar em que somos discriminados, vistos como ladrões, invasores”. As mudanças serão muitas. O galpão de trabalho da Cooperativa, por exemplo, vai permanecer em Taguatinga. A comunidade espera assim distanciar a vida doméstica e as crianças do local de separação dos materiais recicláveis. As crianças poderão levar os coleguinhas em casa, sem vergonha de mostrar onde vivem. Para os jovens uma vida com mais conforto e facilidade. Para os adultos, um sonho transformado em realidade. “Eu fico feliz por saber que minha filha Yasmin vai ter oportunidade de morar em uma casa, oportunidade de estudar com mais segurança, de ter um endereço. Sabe assim, pra mim é até difícil dizer, porque eu não tive essa oportunidade”, diz a presidente Jaqueline de Souza.
Mas e a relação da comunidade, como vai ficar? “A gente vê que tem gente que tem de tudo, mas não tem o que temos aqui dentro, que é felicidade no coração de dizer que eu consigo vencer e lutar sem passar por cima de ninguém”, conta Mônica de Souza. As mudanças serão grandes: “a gente é muito humilde, como vai ser com uma casa quentinha, que tem água regular, energia que vamos ter que pagar, telefone dentro de casa, será que a gente vai se acostumar? Para a gente vai ser uma mordomia né?”, pergunta Mônica. A torcida é grande para que a resposta seja sim.
(Postado por Lídia Mara)